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2009-11-08

Reserva Agrícola Nacional

Numa entrevista publicada na última sexta-feira no Jornal de Notícias, Carlos Noéme, hoje presidente do Conselho Directivo do Instituto Superior de Agronomia, doutorado em Economia e ex-subdirector do Gabinete de Planeamento de Política Agro-Alimentar; responde a esta pergunta (entre muitas outras):

A lei da Reserva Agrícola Nacional foi alterada pelo anterior Governo, e pretende "simplificar" a destruição de solos agrícolas estratégicos. Mudaria essa lei?

Obviamente que sim. A RAN deveria ser um instrumento de controlo de solos disponíveis e não estou de acordo que esse instrumento seja cada vez mais liberalizado. Até por razões de ordem ambiental, defendo que a RAN tenha fortes condicionantes restritivas e não o contrário.



E já só faltam cerca de 150 novas assinaturas para tornar obrigatória a sua discussão na Assembleia da República, independentemente de haver grupos parlamentares -caso do Partido Ecologista «Os Verdes»- que suscitaram a apreciação parlamentar do Decreto Lei.

2009-10-25

Redinamizar a economia, promover a sustentabilidade

  • Portugal, hoje, importa cerca de 75% do que consome.
  • Antes de entrar no mercado comum da União Europeia, importava apenas 25% e produzia os restantes 75% do que consumia.
1 kg de maçãs na Nova Zelândia, no outro lado do planeta, cuja produção e transporte consumiu um elevado nível de fuel e emitiu um número significativo de quilogramas de dióxido de carbono para a atmosfera, aparece numa prateleira de um qualquer supermercado em Portugal mais barato do que 1 kg de maçãs produzidas aqui, a 100 km, a 20 km ou a 500m.

Estes são dados conhecidos, que foram levados a debate na Assembleia da República, por iniciativa do PEV na defesa do direito a consumir local, e que traduzem um lógica, que se afigura ambientalmente insustentável e que não garante os direitos dos consumidores nem dos produtores. Não contribui para a valorização dos produtos regionais de qualidade, para a biodiversidade e diversidade cultural associada a tal produção.


2009-07-02

Crónica

Natureza Geneticamente Modificada

Clique AQUI para ouvir

crónica por Júlio Sá gravada para a RUM

2009-06-17

Seca e Desertificação

Portugal tem metade do território em risco de desertificação e está a ficar sem solos de qualidade. E sem os seus guardiões, os agricultores. Para ajudá-los a manter as actividades que protegem os terrenos, Eugénio Sequeira defende que o Estado lhes deve pagar por esse serviço e demonstrar, em propriedades-piloto, quais os melhores métodos de recuperação da terra.
Hoje comemora-se o Dia Mundial de Combate à Seca e Desertificação.

A agricultura não é só produzir cereal, cortiça; é produzir a qualidade de vida da qual dependemos, água de qualidade, é ser sumidouro de carbono, guardiã da biodiversidade e salvaguarda contra a seca
Eugénio Sequeira.

Leia AQUI a notícia no jornal Público

2009-06-04

Europa e Ambiente – rótulo ou produto?

A União Europeia vive sobre o rótulo de exigência de altos padrões ambientais. Mas valerá a pena analisarmos se é mesmo assim ou se o rótulo, afinal, é enganador quanto ao produto que nos é vendido.


Leia AQUI a Opinião de Heloísa Apolónia.

2009-05-29

Razões para Votar Verde

Produzir Local, Consumir Local.
Por uma Agricultura Sustentável.


Portugal, com a adesão à União Europeia, foi perdendo a sua soberania alimentar e se em 1986 importava cerca de 25% do que consumia, hoje esse valor ascende a 75%.
Na realidade, os sectores produtivos, em grande parte a agricultura e as pescas, foram perdendo expressão face a uma intrusão fortemente agressiva das economias mais fortes apoiada pela UE. Como consequência, a nossa economia ficou mais frágil, dependemos mais do exterior, perdemos postos de trabalho, agravou-se o despovoamento e as assimetrias regionais, mas também a poluição atmosférica e o efeito de estufa graças ao aumento vertiginoso do transporte de mercadorias.

• «Os Verdes» e a CDU defendem um maior apoio e protecção às pequenas e médias produções agrícolas, mais adaptadas às especificidades do clima e solos do país, com vantagens ambientais e geradoras de riqueza para a economia local;

• Defendemos uma Europa Livre de OGM’s, e o apoio à agricultura biológica;

• Queremos uma efectiva utilização dos fundos comunitários para o desenvolvimento agrícola e económico, evitando-se o retorno recorrente dos fundos que não chegam a ser utilizados;

• Defendemos a soberania portuguesa sobre as águas marítimas nacionais e o apoio às artes de pesca tradicionais, menos nefastas para os ecossistemas marinhos.

7 de Junho
O Voto Verde, é o Voto na CDU

2009-04-15

Sobre o Novo Regime da Reserva Agrícola Nacional


Declaração política do Deputado Francisco Madeira Lopes (PEV)
sobre o novo regime da RAN

proferida na Assembleia da República a 15 de Abril de 2009


Sr. Presidente, Srs. Deputados,

O solo constitui um bem fundamental, precioso, bem escasso e finito, não renovável, pelo menos no tempo de uma vida humana.

Com efeito, para se formar apenas um centímetro de solo, são necessárias centenas de anos, e milhares se pensarmos em solo agrícola arável e capaz de produzir, através da agricultura, bens alimentares indispensáveis à vida, não só humana, mas de todos os ecossistemas.

Por isso, nunca será demais recordar a importância do solo, base da agricultura e do nosso sustento e sobrevivência, enquanto bem escasso, finito, irreproduzível e indispensável que é e que, como tal, necessita ser preservado para a sua função primordial: a produção agrícola.

Infelizmente, tal como a produção agrícola tem vindo a decrescer no nosso país, ao longo das últimas décadas, afectando a nossa soberania agrícola e alimentar, deixando-nos cada vez mais dependentes das flutuações, especulações e crises dos mercados internacionais de bens alimentares de primeira necessidade como os cereais e a fruta, acompanhada do despovoamento e aumento de processos de desertificação e erosão de largas zonas do nosso território, em especial no interior do país, também a área agrícola aproveitada e explorada com sustentabilidade, económica e ambiental, tem vindo a decrescer. De 1989 a 2005 perdemos 8% de Superfície Agrícola Utilizada, e só nos últimos sete anos desapareceram 92 mil explorações agrícolas e a população agrícola familiar reduziu-se em 30%.

Certamente que o Regime da Reserva Agrícola Nacional, criado em 1982, revisto em 1989, não seria isento de problemas e dificuldades podendo e devendo ser alvo de um balanço profundo e de uma discussão alargada, crítica e consequente que permitisse melhorar este instrumento fundamental de ordenamento do território.



Mas infelizmente, o Governo, seguindo a sua marca de arrogância, prepotência e secretismo que intencionalmente quer e tem dado a todas as reformas que tem implementado, decidiu aprovar um novo regime da Reserva Agrícola Nacional às escondidas de todos, vedando totalmente a hipótese das Associações de Agricultores, das Associações de Ambiente, do CNADS, e de tantas outras entidades poderem participar, num debate franco, aberto, construtivo e positivo para melhorar os instrumentos legislativos relativamente à defesa e potenciação do solo agrícola em Portugal. As únicas entidades a ser ouvidas, a fazer fé no preâmbulo do DL 73/2009 de 31 de Março, foi a Associação Nacional de Municípios e os órgãos das Regiões Autónomas.

“Os Verdes” denunciam aqui e lamentam profundamente esta postura do Governo nada transparente de quem fez desta Maioria Absoluta uma Arrogância Absoluta.

Mas ao ler o diploma, que entrou em vigor no passado dia 10 de Abril e que revogou o anterior regime com vinte anos de existência, ficamos a perceber porque é que O Governo não quis estender a discussão ao movimento associativo, à sociedade civil e à oposição. É que este novo regime da RAN, mais do que uma oportunidade perdida, representa um passo certo no ataque ao património agrícola nacional.

À semelhança do que ocorreu com o novo regime da Reserva Ecológica Nacional, com a nova RAN, o número de situações que serão deixadas ao arbítrio das inúmeras janelas, de todos os tamanhos e feitios, uma para cada gosto ou interesse económico, que são abertas agora ou mantidas do anterior regime, por onde entra tudo ou quase tudo que se pretendia impedir deixar de entrar pela porta, são ainda mais numerosas.

Se com a lei anterior, a RAN, tal como a REN, já era fragmentada, desclassificando-se a cada passo solos agrícolas, mesmo de primeira qualidade, desrespeitando-se linhas de água e leitos de cheia, em que todos os restantes valores, do turismo ao industrial, passando pelo da especulação imobiliária, se sobrepunham ao interesse de preservar os solos agrícolas, garantes da produtividade alimentar, sustentáculo económico do país e factor de equilíbrio territorial, então com o actual regime tal passará a ser ainda mais rápido e fácil.

Com efeito, as excepções, isto é os usos não agrícolas permitidos em RAN, aumentam substancialmente. Por um lado, permitindo-se agora a instalação de estabelecimentos industriais e comerciais ou instalações de recreio e lazer, complementares à actividade agrícola, ou a reconstrução e ampliação de construções já existentes, e por outro mantendo-se outras totalmente injustificáveis e insustentáveis, como é o caso dos campos de golfe, autênticas máquinas de desperdício e degradação dos recursos hídricos, aumentando assim o número de vias para ocupar solos agrícolas sem ser para produzir alimentos.


Mas o diploma vai mais longe, desvirtuando a RAN enquanto entidade de cariz nacional, desresponsabilizando-se mais uma vez o Estado e transformando-a numa manta de retalhos ao fazer depender a sua delimitação das elaborações, alterações ou revisões dos Planos Municipais de Ordenamento do Território, em qualquer caso, sem sequer ter que passar pelo Conselho de Ministros.

Isto para já não falar da simplificação de procedimentos, diminuição de prazos para menos de metade (de 90 para 25 dias) enquanto não são dados aos serviços meios, técnicos e humanos, para assegurarem o cumprimento desses prazos nem, muito menos, para fiscalizar todos os procedimentos e as violações à RAN no terreno, culminando, como a cereja no topo do bolo, com a admissão do deferimento tácito em caso dos serviços não conseguirem cumprir o prazo legalmente definido.

O Governo prepara o regabofe total na Reserva Agrícola Nacional.

Mas porventura o mais grave de tudo prende-se com a alteração da concepção do que é a actividade agrícola, tornando-a de tal modo abrangente, que passa a incluir a produção florestal e a pecuária. Ou seja, a partir deste momento, a RAN e os melhores solos agrícolas deixam de estar primária e principalmente destinados à agricultura e à fundamental produção alimentar para passar a estar também, indiferenciadamente, ao dispor da actividade florestal e das explorações pecuárias, extensivas ou intensivas.

Mas, mais grave, nem sequer é de uma floresta autóctone, diversificada, para usos múltiplos e compatível com usos agrícolas de que se fala, escancara-se, isso sim, conforme era reivindicado há largos anos pelas celuloses, a porta à instalação da floresta de produção lenhosa intensiva e do eucalipto, que degradam de forma profunda e grave solos e recursos hídricos, para, depois de esgotarem milhares de hectares de solo, se pretendem agora transferir para os melhores solos agrícolas do nosso país, ameaçando-os de destruição irreversível, comprometendo de forma absolutamente vergonhosa a sustentabilidade do nosso tecido produtivo agrícola nacional.

Contra mais esta depredação do património natural que queremos legar às gerações futuras, podem contar Srs. Deputados do PS, com a firme oposição do Partido Ecologista “Os Verdes” que tudo fará para tentar corrigir o diploma ínvio que o Governo produziu.

2009-04-11

Sobre o novo regime da RAN

«Os Verdes» opõem-se ao novo regime da Reserva Agrícola Nacional (RAN), publicado esta semana, o qual não garante opções responsáveis de ordenamento do território, flexibilizando os regimes de excepção, de modo a abrir portas a violações claras ao regime da RAN, permitindo que muitas actividades e construções sejam implementadas nestes espaços, muito para além dos fins agrícolas, designadamente ao nível de empreendimentos turísticos, campos de golfe, florestação de espaços em detrimento da actividade agrícola,estabelecimentos industriais conexos à agricultura, sendo, na perspectiva de «Os Verdes» lamentável a desresponsabilização que se atribui à Comissão da RAN, que, não se pronunciando dentro do prazo estabelecido na lei, faz com que se accione de imediato a figura do deferimento tácito, agora expressamente contido no Decreto-Lei.
Por tudo isto, «Os Verdes» vão procurar, no parlamento, pedir a apreciação parlamentar do novo regime da RAN, de modo a introduzir-lhe alterações que o enquadrem no verdadeiro interesse público e de ordenamento territorial de que o país tanto carece, garantindo-lhe um verdadeiro interesse nacional e integrado.


Este é um dos pontos retirados das conclusões do Conselho Nacional de «Os Verdes» realizado no dia 4 de Abril.

2009-03-19

Moção rejeitada na Assembleia Municipal de Braga

Foi rejeitada há dias, na Assembleia Municipal de Braga, uma moção dos eleitos de "Os Verdes" que propunha que as refeições providenciadas nos refeitórios e cantinas escolares do município incluíssem 25% de alimentos de cultivo local e 25% de alimentos provenientes de agricultura biológica.

Para "Os Verdes", esta moção contribuiria grandemente para dinamizar a economia local, criando riqueza, contribuindo para a diminuição do uso de combustíveis fósseis (devido à proximidade entre o consumo e a produção) e consequentemente, para a diminuição da emissão de gases com efeito de estufa.

O PEV considera lamentável que num momento profundo de crise económica e social que os portugueses atravessam, a maioria PS tenha chumbado a moção de "Os Verdes", demonstrando desta forma que não tem motivação para minimizar os problemas da população bracarense.