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2009-04-16

Mania das grandezas

«A coisa é séria, demasiado séria. Soube há poucos dias que Portugal tem auto-estradas em excesso, nada menos que nove, num total de quase setecentos quilómetros. Se pensarmos em quanto custa a construção de um só quilómetro dessas sumptuosas vias de comunicação rodoviária em que o utente goza praticamente de todas as comodidades da vida doméstica, é inevitável concluir que alguém se enganou nas contas ou com elas nos enganou».

José Saramago em «O Caderno de Saramago»

Leia aqui o artigo completo

2009-04-07

Crónica de Celso Alves Ferreira

As grandes obras públicas


Em minha opinião seria muito negativo que o Governo resolvesse suspender as grandes obras públicas, na medida em que esses investimentos devem ser direccionados para o crescimento económico do país e sobretudo das empresas nacionais.
Contudo grandes obras públicas podem não significar enormes investimentos e não podem jamais dar origem a prejuízos, muitos deles sem forma de correcção para as populações, para os portugueses e para a biodiversidade das regiões, na medida em que estas são afectadas por esses investimentos.
Menciono, a título de exemplo, as consequências terríveis que advirão do Plano Nacional de Barragens, que prevê a construção de 10 novas barragens sob o falso pretexto da nossa independência energética. Para além de ser uma falácia, este plano é também uma forma de colocar em causa o Desenvolvimento Sustentável através da destruição de espécies animais e vegetais em vias de extinção. Com a inundação do Vale e da Linha do Tua, para além da destruição de uma paisagem única, Património da Humanidade que é o Douro, ficarão no desemprego milhares de trabalhadores e sem transporte outras milhares de pessoas.
Outro exemplo de outra grande obra pública que merece naturalmente uma enorme contestação é a construção da linha do TGV.
Apesar de não poder ser contra o alargamento da linha férrea, sou de opinião que a forma como o Governo deveria encarar a importância do investimento deveria ter por base o serviço às populações, que tem vindo a ser negado com o desmantelamento de centenas de Quilómetros de férrovia nomeadamente nos últimos 10 anos.
O investimento sério nas linhas ferroviárias, contribuiria para a diminuição dos Gases com Efeito de Estufa e permitiria caminhar no sentido de respeitar os compromissos assumidos pelo Governo com o Protocolo de Quioto.
Para concluir diria que as grandes obras públicas deveriam significar o real desenvolvimento do país, em prol das necessidades dos portugueses e nunca significar o engordar de multinacionais que tem como único objectivo o lucro imediato contrastando com aquilo que na génese significa público.

Celso Alves Ferreira


2009-04-06

O Investimento Rodoviário

Pretendo com este texto fazer uma análise e reflexão sobre a notícia publicada no Semanário Expresso do fim-de-semana passado sobre as auto-estradas construídas de forma desnecessária.
De acordo com os dados do Plano Rodoviário 2000, assentes em parâmetros internacionais, para que se justifique a construção de uma auto-estrada a média diária de veículos a circular seria entre 10 a 12 mil, concluísse que nove auto-estradas não tem qualquer razão de existir. Três no Norte (A11, A7 e A24); duas no Centro e quatro a Sul.
Para além deste facto, podemos concluir que as manifestações levadas a cabo por populares contra os preços praticados nas portagens das referidas auto-estradas deveriam ter sido levadas a sério, talvez como maneira de garantir uma maior utilização. Não pretendo defender as auto-estradas até porque sou um defensor acérrimo da férrovia e do investimento nos transportes públicos, pretendo apenas dar razão às pessoas que se manifestaram.
Assistimos claramente a uma falta de investimento nas vias, estradas principais e secundárias, em suma uma notável falta de investimento nos transportes públicos, certamente como forma de pressionar a utilização das auto-estradas e do transporte individual, no entanto são políticas que merecem ser denunciadas e classificadas como reprováveis.
Atendendo que Portugal é dos países da Europa com mais auto-estradas, seria talvez altura de parar para reflectir as verdadeiras necessidades dos portugueses em questão de transportes e acessibilidades, mas sem antes fazer-se justiça para com as populações que aguardam os valores das indemnizações pelos terrenos por onde passam auto-estradas, refiro-me obviamente à situação que se vive ao longo da A25, situação que se arrasta à demasiado tempo.
Contudo não poderia deixar de avaliar as palavras do Sr. Presidente da República sobre as auto-estradas: “… em Portugal ainda se confunde custo com benefício. Uma estrada é toda ela custos. O benefício é o transito que passará nela. Se não houver trânsito não há benefício, é zero”, pergunto-me de que estaria ele a falar, isto porque no tempo em que era Primeiro Ministro deu inicio à política de betão, e este é o resultado de décadas dessa mesma política. Em momento algum o Sr. Presidente da República abordou a necessidade de se investir nos transportes públicos, nomeadamente na férrovia.
Será naturalmente um disparate, se o Governo decidir avançar para a construção de uma nova auto-estrada entre o Porto e Lisboa, diria mesmo uma irresponsabilidade e falta de rigor nos investimentos públicos, atendendo que nas duas auto-estradas existentes circulam 50,5 mil automóveis por dia, sendo que a capacidade é de 150 mil.
A questão levantada por especialistas ao pedirem maior rigor nas decisões de investimento rodoviário não é na verdade novo, contudo desejaria ir mais longe e pedia que o rigor fosse alargado a todos os investimentos públicos, situação que lamentavelmente não sucede, senão vejamos as sucessivas e escandalosas derrapagens nos investimentos públicos que diariamente são noticia, contudo a culpa “morre sempre solteira”.
Para concluir gostaria de apresentar a campanha “PELO COMBOIO É QUE VAMOS” que foi levada a cabo pelos “VERDES” em Agosto de 2006 como resposta à intenção da CP e do Governo de encerrar um conjunto de linhas ferroviárias, importantíssimas pelo facto de serem a razão do não isolamento de milhares de portugueses, nomeadamente as vias férreras do Corgo, Tâmega e Tua. Uma campanha que juntou a indignação de milhares de portugueses que tal como os “VERDES” recusam o encerramento de mais linhas férreas e defendem o transporte ferroviário convencional, como um transporte público de excelência e amigo do ambiente.

Celso Alves Ferreira